
Saiba quais são as abordagens médicas para o cálculo renal, desde a eliminação natural até os procedimentos minimamente invasivos.
Aquela dor aguda e súbita na região lombar, que pode irradiar para o abdômen e a virilha, é um sinal clássico. A crise de cólica renal, causada pela movimentação de uma pedra no rim, é uma das experiências mais dolorosas que alguém pode ter e leva muitos pacientes ao pronto-socorro.
De acordo com a Universidade da Califórnia (UCLA), se você já teve um cálculo renal, a chance de ter outro dentro de 5 a 7 anos aumenta em aproximadamente 50%. Felizmente, a medicina dispõe de diversas estratégias eficazes para o tratamento dessa condição.
A escolha do método ideal varia conforme cada caso, e a avaliação de um médico urologista ou nefrologista é fundamental para definir o caminho mais seguro e adequado para você.
O que causa a formação de pedras nos rins?
Os cálculos renais, ou litíase urinária, são massas sólidas formadas por pequenos cristais. Eles surgem quando a urina apresenta altas concentrações de substâncias como cálcio, oxalato e ácido úrico, que se agregam e solidificam.
A principal causa para essa concentração é a baixa ingestão de líquidos, que torna a urina mais saturada. Fatores como histórico familiar, dieta rica em sódio e proteínas, obesidade e algumas condições metabólicas também aumentam o risco de desenvolver o problema. O importante é entender que o tratamento visa não apenas remover a pedra atual, mas também prevenir futuras formações.
Quando o tratamento para pedra no rim é necessário?
Nem toda pedra no rim exige uma intervenção imediata. Cálculos muito pequenos e assintomáticos, que não causam dor ou obstrução do fluxo urinário, podem ser apenas acompanhados por um especialista.
O tratamento se torna necessário quando a pedra causa:
- Dor intensa: a chamada cólica renal, que não melhora com analgésicos comuns.
- Obstrução: bloqueio da passagem de urina do rim para a bexiga, o que pode dilatar e danificar o rim.
- Infecção urinária: a presença da pedra pode favorecer a proliferação de bactérias.
- Sangue na urina: hematúria persistente.
A decisão sobre intervir ou aguardar é sempre médica, baseada em exames de imagem como ultrassom e, principalmente, a tomografia computadorizada, que mostra com precisão o tamanho e a localização da pedra.
Quais são os tratamentos não cirúrgicos?
Para cálculos menores, que têm alta probabilidade de serem expelidos espontaneamente, o urologista pode indicar uma abordagem mais conservadora. O objetivo é controlar a dor e facilitar a passagem da pedra pelo canal urinário (ureter).
Tratamento clínico com medicamentos
Essa abordagem, conhecida como terapia médica expulsiva, combina o uso de medicamentos para aliviar os sintomas e ajudar o organismo a eliminar o cálculo. Geralmente, inclui:
- Analgésicos e anti-inflamatórios: para controlar a dor intensa da cólica renal.
- Alfabloqueadores: medicamentos que relaxam a musculatura do ureter, facilitando a descida e a passagem da pedra.
Durante uma crise de dor aguda, é importante seguir a orientação médica sobre a ingestão de líquidos. Beber água em excesso nesse momento pode aumentar a pressão no rim obstruído e piorar a dor.
Quais são os procedimentos para remover pedras nos rins?
Quando a pedra é muito grande para ser eliminada sozinha ou está causando complicações, são necessários procedimentos para fragmentá-la ou removê-la. A maioria das técnicas atuais é minimamente invasiva.
Litotripsia extracorpórea por ondas de choque (LECO)
A LECO é um procedimento não invasivo que utiliza ondas de choque de alta energia, geradas por uma máquina fora do corpo, para quebrar a pedra em pedaços menores. Esses fragmentos são, então, eliminados naturalmente pela urina.
É indicada principalmente para cálculos de tamanho intermediário localizados dentro do rim. Sua eficácia pode ser menor em pedras muito duras ou em pacientes com obesidade.
Ureteroscopia flexível a laser
Considerado um dos métodos mais eficazes, a ureterorrenolitotripsia a laser é um procedimento endoscópico. O médico insere um aparelho muito fino e flexível (ureteroscópio) através da uretra, passa pela bexiga e chega até o ureter ou o rim onde a pedra está localizada.
Uma fibra de laser é passada pelo aparelho para pulverizar o cálculo em fragmentos minúsculos, que são removidos ou eliminados pela urina. Não há cortes, e a recuperação costuma ser rápida.
Nefrolitotripsia percutânea
Este procedimento cirúrgico é a escolha para cálculos muito grandes (geralmente maiores que 2 cm) ou complexos, como os chamados cálculos coraliformes, que ocupam grandes áreas do rim.
É realizada uma pequena incisão na região lombar do paciente, por onde o cirurgião insere um instrumento chamado nefroscópio diretamente no rim. Com o auxílio de vídeo, a pedra é fragmentada e seus pedaços são aspirados. É o método mais invasivo, mas também o mais efetivo para casos complexos.
Como prevenir a formação de novas pedras nos rins?
Após tratar um cálculo, o foco se volta para a prevenção. Estima-se que cerca de 50% das pessoas que tiveram uma pedra no rim terão outra em um período de 5 a 10 anos se não adotarem medidas preventivas. As estratégias mais importantes são:
- Aumentar a ingestão de líquidos: beber de 2 a 3 litros de água por dia é a medida mais importante. A urina deve ficar clara, quase transparente.
- Reduzir o consumo de sódio: o excesso de sal na dieta aumenta a quantidade de cálcio na urina.
- Moderar o consumo de proteína animal: dietas ricas em carne vermelha podem aumentar os níveis de ácido úrico e cálcio na urina.
- Análise metabólica: o médico pode solicitar exames de sangue e de urina de 24 horas para investigar a causa da formação das pedras e, assim, indicar um tratamento preventivo mais específico.
Qual médico procurar para tratar pedra no rim?
O urologista é o especialista responsável pelo diagnóstico e tratamento da maioria dos casos de cálculo renal, especialmente quando há necessidade de procedimentos cirúrgicos. Em paralelo, o nefrologista pode atuar na investigação das causas metabólicas e na orientação de estratégias de prevenção para evitar a recorrência do problema.
Ignorar os sintomas ou tentar soluções caseiras sem diagnóstico pode levar a complicações graves, como infecção generalizada e perda da função renal. Por isso, ao sentir os primeiros sinais, procure ajuda médica qualificada.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.
Bibliografia
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