Angiologia

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Exame de sangue para detectar trombose nas pernas: como funciona e quando fazer

O exame de sangue pode indicar a presença de coágulos na circulação e ajudar na investigação da trombose nas pernas.
EHPC
Equipe Hospital Pró-Cardíaco - Equipe Hospital Pró-Cardíaco Atualizado em 24/04/2026
Médica checando exame de sangue

A trombose nas pernas ocorre quando um coágulo se forma dentro de uma veia e dificulta a passagem do sangue. Esse processo pode evoluir sem sinais claros no início, o que torna a investigação médica essencial.

O exame de sangue entra como uma etapa importante desta investigação. Ele não mostra o coágulo diretamente, mas ajuda a identificar se o organismo está passando por um processo de formação e quebra de trombos.

Qual exame de sangue é utilizado para investigar trombose nas pernas

O exame mais utilizado é o dímero-D. Ele mede fragmentos liberados no sangue quando um coágulo é formado e começa a ser degradado pelo próprio organismo. Esse processo faz parte da resposta natural do corpo, que tenta restabelecer o fluxo normal da circulação.

No capítulo sobre trombose venosa profunda do estudo Deep Vein Thrombosis, os autores descrevem o dímero-D como um marcador da ativação simultânea da coagulação e da fibrinólise.

Isso significa que o exame indica que há atividade relacionada à formação de coágulos, mesmo sem mostrar onde eles estão.

Resultado do dímero-D na prática

O resultado do dímero-D é apresentado como uma taxa no sangue e precisa ser interpretado junto com a avaliação clínica.

O valor do dímero-D é utilizado como parte da avaliação da trombose. Em pacientes com baixa probabilidade clínica, resultados dentro da faixa de referência podem ajudar a afastar a suspeita da doença.

Mesmo com resultado dentro da faixa esperada, a decisão final não depende apenas do número. O médico considera o contexto clínico, os sintomas e as características do paciente para definir se há ou não necessidade de continuar a investigação.

Quando o resultado está elevado, a interpretação exige mais cuidado

O aumento indica que houve formação e degradação de coágulos no organismo. Esse achado não é exclusivo da trombose e pode ocorrer em diferentes situações clínicas, como infecções, processos inflamatórios, gravidez e período pós-operatório.

Quando o valor está acima desse limite, o exame indica que há atividade de formação e quebra de coágulos no organismo. Esse resultado não confirma o diagnóstico, mas sinaliza a necessidade de investigação complementar, geralmente com exames de imagem.

Nesses casos, o exame de imagem, como o Doppler vascular, é utilizado para avaliar diretamente o fluxo sanguíneo e identificar a presença de obstruções.

Mesmo com resultado normal, a investigação pode continuar quando os sintomas são persistentes ou quando o risco clínico é elevado.

Em quais situações o exame de sangue é solicitado

O exame de dímero-D não faz parte de avaliações de rotina. Ele é utilizado quando há suspeita clínica de trombose.

Essa suspeita surge a partir de sinais e do contexto da pessoa. Entre as situações mais comuns estão:

  • Dor localizada em uma das pernas sem causa muscular evidente

  • Inchaço que se mantém ao longo do dia

  • Sensação de peso associada a endurecimento da panturrilha

  • Alterações na cor ou temperatura da pele

  • Períodos prolongados de imobilização

  • Recuperação recente de cirurgia

No estudo publicado na Revista da Associação Médica Brasileira, os autores destacam que o exame tem maior utilidade quando a probabilidade clínica não é claramente alta nem baixa.

Nessa faixa intermediária, ele ajuda a orientar a decisão entre descartar o diagnóstico ou avançar para exames mais específicos.

Quem tem maior risco de desenvolver trombose nas pernas

A trombose está relacionada a alterações no fluxo do sangue, na parede dos vasos e na coagulação. Esse conjunto é descrito na literatura médica como tríade de Virchow.

Entre os principais fatores de risco estão:

Imobilidade prolongada
A falta de movimento reduz a ação da panturrilha, que funciona como um mecanismo de impulso do sangue. Isso favorece o acúmulo nas veias.

Uso de anticoncepcionais hormonais
Os hormônios aumentam a atividade de coagulação. No estudo sobre tromboembolismo venoso, os autores apontam que o uso de anticoncepcionais combinados eleva o risco em até 3 a 6 vezes.

Tabagismo
O cigarro provoca alterações na parede dos vasos e ativa processos inflamatórios. Esse efeito aumenta a tendência à formação de coágulos, especialmente quando associado a outros fatores.

Gravidez e pós-parto
O organismo aumenta a capacidade de coagulação como mecanismo de proteção, o que eleva o risco de trombose.

Cirurgias e internações
Essas situações combinam redução da mobilidade com ativação da coagulação.

Histórico familiar e trombofilias
Alterações genéticas podem aumentar a predisposição à formação de coágulos.

Obesidade e sedentarismo
O aumento da pressão nas veias e a redução do movimento dificultam o retorno do sangue.

No estudo Deep Vein Thrombosis, esses fatores são descritos como determinantes para o desenvolvimento do quadro, especialmente quando ocorrem de forma combinada.

Complicações da trombose nas pernas

A trombose nas pernas pode evoluir de formas diferentes. Em alguns casos, o quadro responde bem ao tratamento. Em outros, pode apresentar complicações mesmo com acompanhamento adequado.

Quando o coágulo interfere na circulação, o fluxo de sangue fica prejudicado, o que pode levar a alterações mais graves ao longo do tempo.

Uma das principais complicações é a embolia pulmonar. Parte do coágulo pode se desprender, seguir pela circulação e alcançar os pulmões, bloqueando a passagem do sangue. Esse quadro pode causar falta de ar, dor no peito e exige atendimento imediato.

Outra complicação é a síndrome pós-trombótica. Mesmo após o tratamento, a veia pode permanecer com funcionamento comprometido. Isso pode gerar sintomas contínuos, como inchaço, dor, sensação de peso e alterações na pele da perna. Em alguns casos, surgem feridas que demoram para cicatrizar.

Também pode ocorrer dano nas válvulas das veias, o que dificulta o retorno do sangue ao coração e mantém a circulação alterada de forma persistente.

Essas possibilidades mostram que a trombose não se limita ao momento do diagnóstico e pode impactar a circulação de forma prolongada, o que exige acompanhamento médico adequado.

Como é feito o tratamento da trombose nas pernas

O início precoce da terapêutica diminui a probabilidade de progressão e das complicações relacionadas. O tratamento visa impedir o aumento do coágulo e diminuir o risco de desdobramentos adversos.

Entre as principais abordagens estão:

  • Uso de anticoagulantes para controlar a coagulação

  • Terapias específicas em casos selecionados para dissolução do trombo

  • Uso de meias de compressão para melhorar o fluxo sanguíneo

  • Orientação para movimentação das pernas

  • Acompanhamento médico contínuo

Como evitar a trombose

A prevenção está diretamente ligada ao funcionamento da circulação e aos hábitos do dia a dia. Algumas medidas ajudam a reduzir o risco de formação de coágulos:

  • Manter as pernas em movimento ao longo do dia

  • Evitar ficar muito tempo sentado ou deitado sem se movimentar

  • Levantar e caminhar durante viagens longas

  • Controlar o peso corporal

  • Não fumar

  • Utilizar anticoncepcionais ou outros hormônios apenas com orientação médica

  • Seguir corretamente as orientações após cirurgias ou períodos de repouso

Essas ações ajudam a manter o fluxo sanguíneo ativo e reduzem as chances de o sangue ficar parado dentro das veias, o que diminui o risco de trombose.

Busque uma equipe médica de confiança

Assim como foi dito, o exame de sangue é uma etapa importante na investigação da trombose nas pernas. Ele ajuda a identificar sinais de formação de coágulos e orienta a necessidade de exames mais específicos. Quando realizado no momento certo, contribui para um diagnóstico mais rápido e seguro.

Como a trombose pode evoluir e trazer riscos à circulação, a avaliação médica faz diferença desde o início. A análise do exame, junto com os sintomas e exames de imagem, permite confirmar ou descartar o quadro e iniciar o tratamento adequado.

Contar com uma equipe preparada garante que cada etapa seja conduzida com precisão. O Hospital Pró-Cardíaco oferece estrutura para investigação completa da circulação, com suporte em exames laboratoriais e de imagem, além de acompanhamento especializado para definição do tratamento conforme a necessidade de cada paciente.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

NATIONAL CENTER FOR BIOTECHNOLOGY INFORMATION (NCBI). Deep Vein Thrombosis. [S. l.], 2023. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK431064/. Acesso em: 30 mar. 2026. PUBMED CENTRAL (PMC). D-dimer testing and venous thromboembolism. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC4624298/. Acesso em: 30 mar. 2026.

Escrito por
EHPC

Equipe Hospital Pró-Cardíaco

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