
Ela começa de forma completamente silenciosa, sem dor, sem aviso e sem nenhum sinal visível. As artérias vão acumulando placas de gordura na parede interna ao longo dos anos, e o fluxo de sangue vai ficando cada vez mais estreito.
Por fora, a vida segue normal. Por dentro, o risco cresce.
A aterosclerose é uma das principais causas de infarto e acidente vascular cerebral no mundo. E o problema mais sério não é a doença em si: é que a maioria das pessoas só descobre que tem quando ela já está avançada.
Entender os aterosclerose fatores de risco é o ponto de partida para mudar esse cenário. Porque ao contrário do que parece, grande parte do que acelera essa doença está diretamente ligada a escolhas e hábitos do dia a dia.
O que é a aterosclerose?
A aterosclerose é o processo de endurecimento e estreitamento das artérias causado pelo acúmulo de placas formadas por gordura, colesterol, cálcio e outras substâncias na parede dos vasos sanguíneos.
Com o tempo, essas placas podem crescer a ponto de bloquear parcial ou totalmente o fluxo de sangue para órgãos vitais como o coração e o cérebro.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, responsáveis por cerca de 17,9 milhões de óbitos por ano.
No Brasil, dados publicados na Biblioteca Virtual em Saúde de um estudo realizado em 2023, revelam que pelo menos 18 doenças cardiovasculares provocaram a morte de 400 mil brasileiros em 2022. Nesse conjunto de doenças, a aterosclerose está por trás de boa parte desses números, o que revela sua gravidade.
Para a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV), a aterosclerose é uma das principais causas de morte no mundo ocidental.
Entre os maiores afetados por esse quadro, pessoas acima dos 50 anos podem ter maior predisposição ao diagnóstico positivo.
Quais são os principais fatores de risco?
Alguns fatores de risco não podem ser mudados.
A idade é um deles. O processo de formação das placas começa ainda na infância e avança de forma progressiva ao longo da vida. Homens acima dos 45 anos e mulheres acima dos 55 têm risco maior.
O histórico familiar de doenças cardiovasculares também entra nessa lista, já que a predisposição genética influencia na forma como o organismo lida com o colesterol e com a inflamação das artérias.
O colesterol LDL elevado, chamado de colesterol ruim, é um dos principais combustíveis para a formação das placas. Quando combinado com triglicérides altos e HDL baixo, o colesterol bom, o risco cardiovascular aumenta de forma significativa.
A hipertensão arterial é outro fator que acelera o processo. A pressão alta agride constantemente a parede interna das artérias, criando microlesões que facilitam o depósito de gordura naquele ponto.
O diabetes tem efeito semelhante: o excesso de glicose no sangue danifica os vasos e favorece o acúmulo de placas.
O tabagismo também merece atenção redobrada dentro dos fatores de risco. Fumar reduz o colesterol bom, aumenta a coagulação do sangue, eleva a pressão arterial e acelera o endurecimento das artérias.
O risco cardiovascular de um fumante é, em média, duas a quatro vezes maior do que o de um não fumante, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia.
Também são fatores de risco:
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Sedentarismo;
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Obesidade;
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Estresse crônico;
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Consumo excessivo de açúcares e bebidas alcoólicas;
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Alimentação rica em gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados.
Todos esses fatores podem ou completar ou acelerar o quadro de aterosclerose no organismo.
Juntos ou separados, todos eles podem colocar as artérias em situação de risco constante.
Mas a maioria desses fatores de risco podem ser controlados a tempo, e é aí que é preciso intervir a tempo.
Como os hábitos interferem no quadro de aterosclerose?
Para o bem e para o mal. Uma alimentação baseada em frutas, vegetais, grãos integrais, proteínas magras e gorduras saudáveis, como as presentes no azeite e no abacate, ajuda a controlar o colesterol e a reduzir a inflamação das artérias.
A prática regular de exercícios físicos aumenta o colesterol bom, reduz a pressão arterial e melhora a circulação de forma geral.
Por outro lado, uma dieta rica em gordura saturada, sódio em excesso, açúcar refinado e o consumo de álcool de forma abusiva aceleram a progressão da doença e dificultam o controle dos fatores de risco.
As mudanças de hábito, mesmo quando feitas em fases mais avançadas da vida, têm impacto real e mensurável na evolução da aterosclerose. O organismo responde com consistência.
Nunca é tarde para começar.
Por que detectar cedo faz diferença no tratamento e prevenção?
Porque nos estágios iniciais, a aterosclerose ainda não causou danos irreversíveis. Com exames simples, como o perfil lipídico, a medição da pressão arterial e uma avaliação completa de risco cardiovascular, o médico consegue identificar quem precisa de intervenção antes que o infarto ou o acidente vascular cerebral (AVC) aconteça.
O cardiologista é o especialista de referência para o acompanhamento da aterosclerose, mas o clínico geral também tem papel importante na triagem e no encaminhamento.
Não espere sentir dor no peito para marcar uma consulta. Quando a dor aparece, a doença já fez seu caminho há muito tempo, e as opções de tratamento ficam mais restritas e mais pesadas para o organismo.
Bibliografia
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