Cardiologia

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Aterosclerose coronária pode ser identificada por exames do coração

Os exames do coração permitem identificar alterações na circulação antes que elas causem sintomas, auxiliando no diagnóstico da aterosclerose coronária e na prevenção de complicações mais graves.
EHPC
Equipe Hospital Pró-Cardíaco - Equipe Hospital Pró-Cardíaco Atualizado em 24/04/2026
Médico checando exame

Ouvir que pode haver um problema nas artérias do coração costuma gerar preocupação imediata. Mesmo sem entender exatamente o que isso significa, muitas pessoas já associam essa condição a algo grave, como um infarto.

Esse tipo de reação é natural. O coração é um órgão essencial, e qualquer alteração nele tende a causar insegurança, principalmente quando os sintomas ainda não são claros ou aparecem de forma inesperada.

Na maioria das vezes, a aterosclerose coronária se desenvolve lentamente. É um processo silencioso, que pode evoluir por anos ou até décadas sem causar sinais evidentes. Isso faz com que muitas pessoas só descubram a doença quando ela já está em estágio mais avançado.

Por outro lado, a medicina atual permite identificar essas alterações cada vez mais cedo. A investigação adequada pode mostrar sinais da doença antes mesmo que o corpo comece a manifestar sintomas.

O que é a aterosclerose coronária

A aterosclerose coronária é uma condição em que há acúmulo de gordura, colesterol e outras substâncias nas paredes das artérias que irrigam o coração.

Com o passar do tempo, esse acúmulo forma placas que reduzem o espaço interno dos vasos, dificultando a passagem do sangue.

No corpo, isso significa menos oxigênio chegando ao coração. Como o músculo cardíaco depende desse suprimento constante, qualquer limitação pode causar sintomas ou prejudicar sua função.

De acordo com o National Heart, uma das principais causas da aterosclerose coronária é a doença coronariana. Somente nos Estados Unidos, foram 371.506 mortes. No Brasil, dados da Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS) indicam que pelo menos 300 mil pessoas faleceram em decorrência desse quadro.

Esses dados demonstram a importância do acompanhamento médico frequente.

Como a doença se desenvolve no organismo

A doença começa com pequenas lesões na parede interna das artérias, provocadas por fatores como pressão alta, colesterol elevado, diabetes e tabagismo.

O organismo tenta reparar esse dano, mas acaba gerando um processo inflamatório contínuo. Com o tempo, gordura e células de defesa se acumulam nesse local, formando as placas.

Esse processo é lento e progressivo. Em muitos casos, o fluxo de sangue ainda é suficiente no início, o que explica a ausência de sintomas.

De acordo com Libby (2021), em estudo publicado na revista Nature, a inflamação das artérias desempenha papel central na formação e na instabilidade das placas ateroscleróticas.

Quando a obstrução se torna significativa, o coração passa a receber menos oxigênio, especialmente durante esforços.

Se uma dessas placas se rompe, o organismo forma um coágulo rapidamente, podendo bloquear a artéria e causar um infarto.

Exames que identificam a aterosclerose coronária

A identificação precoce depende da combinação de exames que avaliam risco e funcionamento do coração.

  • Exames de sangue: avaliam colesterol, triglicerídeos, glicose e marcadores inflamatórios, ajudando a identificar fatores de risco.

  • Eletrocardiograma (ECG): registra a atividade elétrica do coração e pode indicar alterações relacionadas à falta de oxigênio.

  • Teste ergométrico: avalia o coração durante esforço físico, identificando alterações que não aparecem em repouso.

  • Ecocardiograma: permite avaliar a estrutura e o funcionamento do coração por meio de ultrassom.

  • Angiotomografia coronária: permite visualizar diretamente as artérias do coração, identificando placas mesmo em fases iniciais. Esse exame ajuda o médico a avaliar com mais precisão o grau de estreitamento dos vasos e a presença de acúmulos de gordura, mesmo quando ainda não causam sintomas.

  • Cateterismo cardíaco: é o exame mais preciso, permitindo diagnóstico detalhado e tratamento no mesmo procedimento.

Quando os exames são indicados

Os exames são indicados quando surgem sintomas como dor no peito, falta de ar ou cansaço aos esforços.

Também são recomendados para pessoas com fatores de risco, como colesterol alto, pressão alta, diabetes, obesidade e histórico familiar de doenças cardíacas.

Mesmo sem sintomas, a avaliação pode ser solicitada de forma preventiva em pacientes com maior risco cardiovascular.

Quem tem maior risco de desenvolver a doença

Existem uma série de fatores que podem levar uma pessoa a desenvolver a aterosclerose coronária. Entre eles, alguns estão diretamente relacionados ao estilo de vida, como o tabagismo, sedentarismo, dietas ricas em sal e episódios de estresse crônico.

Níveis de colesterol alto e o consumo excessivo de álcool também podem acelerar o surgimento desse quadro cardíaco. Por outro lado, doenças renais crônicas, obesidade e inflamação também podem desencadear a aterosclerose coronária.

A idade e a genética também influenciam diretamente no desenvolvimento da doença.

Complicações da aterosclerose coronária

Quando a aterosclerose coronária não é identificada e tratada, ela pode evoluir para quadros mais graves. A redução do fluxo de sangue compromete diretamente o funcionamento do coração.

Infarto

O infarto ocorre quando a artéria sofre bloqueio total e impede a chegada de oxigênio ao músculo cardíaco. Essa interrupção causa morte de células e pode deixar sequelas permanentes.

Insuficiência cardíaca

A insuficiência cardíaca se desenvolve quando o coração perde força ao longo do tempo por receber menos sangue do que precisa. Nessa situação, o órgão não consegue bombear o sangue de forma eficiente para o corpo.

Arritmias

As arritmias surgem quando o sistema elétrico do coração sofre alterações. O ritmo dos batimentos se torna irregular e pode trazer risco em casos mais graves.

O diagnóstico precoce e o acompanhamento médico reduzem o risco dessas complicações e ajudam a preservar a função do coração ao longo do tempo.

Como evitar a progressão da doença e manter a qualidade de vida

A aterosclerose pode ser controlada com mudanças no estilo de vida e acompanhamento médico adequado:

  • parar de fumar

  • manter uma alimentação equilibrada

  • praticar atividade física e

  • controlar doenças como hipertensão e diabetes

Essas são medidas fundamentais, e o acompanhamento médico permite ajustes no tratamento e uso de medicamentos quando necessário.

Diagnóstico completo e tratamento com equipe especializada

Quando há indicação de investigação, o mais importante é contar com uma avaliação completa e bem direcionada. A análise conjunta dos exames e do quadro clínico permite identificar o problema com precisão e definir a melhor conduta para cada caso.

O tratamento pode envolver desde o controle clínico até procedimentos, conforme a necessidade. O acompanhamento ao longo do tempo pode garantir um maior controle da doença.

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Em caso de dúvidas, procure um especialista habilitado.

Bibliografia

Sociedade de Cardiologia do Estado do Rio Grande do Sul (SOCERGS). Aterosclerose é responsável por cerca de 300 mil mortes anuais no Brasil. 2024. Disponível: https://www.socergs.org.br/noticias/aterosclerose-e-responsavel-por-cerca-de-300-mil-mortes-anuais-no-brasil. Acesso em: 10 abr. 2026.

MSD Manuals. Aterosclerose. 2025. Disponível: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-do-cora%C3%A7%C3%A3o-e-dos-vasos-sangu%C3%ADneos/aterosclerose/aterosclerose#Fatores-de-risco-para-aterosclerose_v1652415_pt. Acesso em: 10 abr. 2026.

LIBBY, Peter. The changing landscape of atherosclerosis. Nature, 2021. Disponível em: https://www.nature.com/articles/s41586-021-03392-8. Acesso em: 30 mar. 2026.

SCOT-HEART Investigators. Coronary CT angiography and 5-year risk of myocardial infarction. New England Journal of Medicine, 2018. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1805971. Acesso em: 30 mar. 2026.

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