Outubro Rosa – Entenda mais

Por meio da campanha Outubro Rosa, diversos países realizam iniciativas que têm como finalidade conscientizar as pessoas acerca do diagnóstico precoce do câncer de mama – a neoplasia maligna mais frequente nas mulheres (excluindo o câncer de pele).

Exames

A Sociedade Americana de Ginecologia, o Colégio Americano de Radiologia e a Sociedade Brasileira de Mastologia recomendam a realização de exames preventivos a partir dos 40 anos e de forma anual.

A mamografia é o método mais recomendado para uma investigação inicial. Outros exames, como a tomossíntese mamária (ou mamografia 3D), a ressonância magnética e a ultrassonografia, também poderão ser indicados em casos mais complexos, como para as mulheres com mamas densas.

É fundamental que a mulher seja orientada sobre os benefícios dos exames que, segundo os principais estudos, reduzem a mortalidade por câncer em até 20%.

Tratamentos

Quando falamos de câncer de mama, é importante entender o contexto clínico da paciente que nos procura. Fatores, como doenças associadas, expectativa de vida e qualidade de vida, devem sempre ser considerados ao indicar qualquer tratamento.

Devido à alta prevalência da doença, o câncer de mama é uma área de grande interesse da ciência e, por isso, muitos avanços vêm sendo incorporados à prática clínica. Na área de tratamento, destacamos as novas tecnologias em radioterapia, que possibilitam maior precisão, reduzindo efeitos colaterais e alcançando melhores resultados em eficácia e na estética das mamas. Na área de oncologia clínica, a evolução dos tratamentos passa por maior conhecimento dos mecanismos de proliferação do tumor e pela identificação de alvos precisos para interromper esse processo.

Como exemplo, podemos citar os tratamentos de bloqueio hormonal para pacientes com câncer de mama sensível a hormônios. Na mulher jovem, estudos apontam para o benefício de medicamentos que inibam o funcionamento ovariano e que, combinados com bloqueadores hormonais, reduzem significativamente o risco de recorrência da doença. Na mulher com doença metastática e na fase -pós-menopausa, novos agentes vêm sendo incorporados, com o intuito de vencer a resistência hormonal adquirida e com ganhos de sobrevida significativos.

Estudos de biologia molecular seguem na linha de seleção e identificação de áreas-alvo e mecanismos de gatilho que, quando ativados ou suprimidos, possam interromper a cascata de proliferação do tumor. É uma nova era na medicina e que, certamente, beneficiará muitas mulheres.

Comportamento

É importante salientar a mudança de postura que as mulheres vêm apresentando em relação ao diagnóstico do câncer. Estimuladas por campanhas – como a do Outubro Rosa-, por pessoas públicas – que divulgam suas histórias pessoais com a doença -, por informações nas mídias sociais ou por associações de ex-pacientes – que apoiam mulheres em tratamento -, elas estão substituindo o medo devido ao preconceito com o câncer por uma atitude mais engajada e combativa.

O papel das equipes interdisciplinares no cuidado aos pacientes também traz benefícios substanciais, fortalecendo a autoestima e estimulando hábitos saudáveis, com força e garra necessárias para superar a doença.

Fatores de risco

Os principais fatores de risco para o câncer de mama são a reposição hormonal após a menopausa, a nuliparidade (estado da mulher que nunca engravidou), a primeira menstruação (menarca) precoce, a menopausa tardia, a obesidade, o sedentarismo, o histórico familiar e a ingestão excessiva de álcool.

O câncer de mama hereditário, embora muito divulgado, é uma exceção -abrange apenas 5 a 10% dos casos. A maioria dos casos é de tumores esporádicos e sem histórico familiar prévio. Esse conceito é muito importante e deve ser divulgado, pois, muitas vezes, o que vemos na prática clínica é um retardo no diagnóstico pelo fato de a mulher achar que não pertence ao grupo de risco.

É importante saber que ser mulher e envelhecer são fatores que compõem o maior grupo de risco para a doença. Diante disso, é fundamental a prevenção e o cuidado para o diagnóstico precoce.

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