Mulheres devem ter atenção redobrada aos problemas cardíacos

De forma geral, as suspeitas de doença cardíaca em mulheres são um grande dilema enfrentado pelos médicos e especialistas. Segundo informações da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, em uma análise realizada nos Estados Unidos, somente 17% das mulheres com dores no peito apresentaram problemas cardíacos, em um período de 14 anos no qual foram acompanhadas por médicos. O mesmo índice no grupo masculino alcançou cerca de 44%. Essa confusão existe porque os mesmos dados revelam que doenças cardiovasculares representam a maior causa de morte entre as mulheres.

Segundo dados de 2001 da Secretaria da Saúde do Brasil, a doença cardiovascular é a maior causa de morte em homens e mulheres, representando 37% da mortalidade masculina e 33%, da feminina. Sabe-se que os sintomas da doença cardiovascular são difíceis de serem analisados nas mulheres, sendo que 63% delas, que morrem subitamente por conta disso, não apresentam sintomas anteriores.

Por conta disso, o Dr. Evandro Tinoco, cardiologista do Hospital Pró-Cardíaco, considera a cintilografia um exame muito útil para a mulher, pois problemas com a mama podem interferir em exames que deveriam auxiliar nos exames cardíacos. “O aparelho que temos no Pró-Cardíaco é capaz de corrigir o efeito da mama, o que não aconteceria caso o mesmo fosse feito com um aparelho normal”, relatou ele.

O especialista acredita que as mulheres morrem mais de doença cardíaca porque existe um foco muito grande em câncer de mama, deixando de lado outros hábitos que seriam essenciais para a vida feminina. “A mulher precisa caminhar, controlar a pressão, parar de fumar, controlar o colesterol, sem deixar de lado a prevenção dos fatores de risco. Isso ainda é muito fraco. Os sintomas de doença cardíaca na mulher são pouco valorizados, são subestimados”, disse ele.

Segundo o Dr. Evandro Tinoco, que na época em que era residente realizou um trabalho com dados de mulheres que infartaram com menos de 40 anos, era comum ouvir das mulheres que elas haviam recebido diagnósticos variados, sem relação com o real problema, resolvidos apenas com um eletrocardiograma. “Em mulheres, a doença cardíaca tende a aparecer 10 anos depois do que nos homens, mas se a mulher fuma, é diabética e possui problemas familiares passa a ter grande risco, mesmo precocemente”, explicou.

Por conta disso, a atenção deve ser redobrada. Além da mudança na conduta médica, hábitos de vida saudáveis são essenciais na prevenção de doenças cardíacas. Assim, a consulta com um cardiologista deve tornar-se um compromisso anual. Nos EUA, um mês foi dedicado à luta das mulheres contra doenças cardíacas. Chamado de Agosto Vermelho, o período serve para que as doenças do coração na mulher sejam colocadas em evidência. “Aqui no Brasil não existe esse movimento, e a realidade já é gritante. Por isso é preciso ter muita atenção e consultar sempre especialistas no assunto”, concluiu o médico do Hospital Pró-Cardíaco.

Fonte: Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo

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